terça-feira

A geografia da vida é plana


A geografia da vida é plana, traçada a direito pelos roteiros que percorremos mas já os sentimentos não são assim lineares.
Penso que dada a força do vendaval nada melhor que a distância física e geográfica para serenar as pulsões.  

É isto que me tem movido, uma espécie de ansiedade abafada, constante que corresponde a um ponto exacto no corpo, fica ali entre o coração e o estômago, a meio caminho de nada e entre tudo o que é vital.

Dizem que a paixão sem ansiedade não é paixão e com serenidade também o não é. Dizem.
 Há paixões que se perdem pelo tempo de espera e por falta de recompensa por tanta pulsão. E morrem.
Há amores complicados de se entender, há apaixonados difíceis de ceder. E esgotam-se.
Há paixões que não são assim tão insignificantes ao ponto de serem indiferentes á responsabilidade existencial do outro sem pedirem nada em troca. E perduram. Estas são as paixões da dádiva, da não prisão, da liberdade de ir ou ficar. E renovam-se a cada vinda.

Num certo sentido voce não existe, para mim e eu para si, no mundo real. Existe em mim numa dimensão paralela. E a imaginação ninguém a pode travar porque a cumplicidade do interdito faz-nos revelar os mais recônditos preceitos e permite uma abertura de alma como nada mais. Porque nos entregamos sem reservas, nem pudores, nem medos. Simplesmente nos damos.
 
E é devido a essa entrega desprovida de qualquer contrapartida que digo que Euclides não tinha sempre razão. Ele partia do princípio que as paralelas eram constantes até ao infinito. Hoje sei que é possível um modo de vida não Euclidiano, onde as paralelas se tocam no além longínquo. Um ponto onde tudo o que é real desaparece. A ilusão da convergência. E nesse ponto é onde o impossível é possível, a união, a simbiose de duas realidades distintas, numa espécie de suave entrelaçar, sem intersecções num mundo de precisão. No cerzir dos sentidos, apenas a audição, a respiração alterada e a sensação de arrepio.

 

quarta-feira


"Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. O romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando, porque embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu."

Luis Fernando Veríssimo
"Existe uma maravilhosa mítica lei da natureza em que as três coisas que mais desejamos na vida – felicidade, liberdade e paz de espírito – são sempre obtidas quando as concedemos a alguém mais."

(Peyton Conway March)

quinta-feira

Daquilo que somos feitos...

Porque no fundo compreendi Blimunda Sete-Luas e o seu dom sobrenatural de vidência! Transcendi os limites da racionalidade e permiti-me descobrir o que existe além do espelho das fragilidades e das ilusões. Cortei as amarras demasiado perfeitas de tudo aquilo em quis acreditar e declarei a entropia de sentir. Convoquei em mim o livre-arbítrio e dos ventos fiz percursos e das marés viagens a descobrir.Fui caravelas quinhentistas e dobrei os bojadores que existiam para lá da esfericidade do interior desconhecido. Ignorei os vatícinios do Velho do Restelo tão pessoal e parti disposto a enfrentar os meus adamastores. Alarguei os limites do meu império, revelei pontos cardeais à rosa dos ventos e dei novos mundos ao meu mundo. Foi então que descobri que somos feitos de tempos distintos, da soma desordenada de horas desavindas e de aromas de magnólias. Somos feitos de representações de âmbar, de gemidos de guitarras e de penedos de despedidas. Somos feitos de prosas, poesias e versos brancos. Somos feitos de rasuras e de papéis passados a limpo. Somos feitos de palavras silenciadas por beijos e de beijos que pedem mais palavras e mais silêncios reveladores. Somos feitos de nós e dos outros que em nós vivem eternamente, pois nunca os poderemos expulsar do lugar que conquistaram.Porque nesta peregrinação me descobri entre multiplas soluções do Livro dos Conselhos. Porque todas as soluções convergem em palavras paralelas. Porque "se puderes olhar, vê. Se puderes ver, repara."

Incertezas em mim....

É nos momentos que mais preciso de ti que silencio os meus passos, que calo as minhas palavras… que faço da minha presença ausência. Afasto-me e afasto-te… é nos momentos que mais preciso de ti que as minhas palavras percorrem o percurso mais obscuro para até ti chegarem… assim, tenho a certeza que cairão num fosso sem fundo… que não chegarão até ti… profiro-as num leve murmurar, com o propósito se alguma conseguir até ti chegar, que seja apenas uma leve brisa…É nos momentos que mais preciso de ti, que as incertezas, o desacreditar de tudo que me mostraste como certeza… acontece em mim…É nos momentos que mais preciso de ti que as dúvidas se soltam… que se entranham em todos os meus espaços… que assumem a tua forma…Chegará o dia, que os meus passos se tornarão ruidosos… que as minhas palavras se tornarão audíveis… que sentirás a minha presença… o dia em que me aproximarei de ti… as minhas incertezas irás conhece-las e as dúvidas terei a audácia de as nomear uma por uma… não me preocuparei com o amanhã… pois tenho a esperança que quando o meu precisar de ti te for revelado as minhas dúvidas se dissolverão… e nesse amanhã se precisar de ti? Apenas tu deterás a resposta. In www.voascomigo.blogspot..com

Puzzle...

No meio de todas as tuas peças espalhadas pelo chão surgiu uma peça desconhecida e de contornos distintos. Uma peça com aroma de mistério e da certeza de desafios. Descalça sobre o chão frio acariciaste as peças uma a uma, como se elas te pudessem murmurar os segredos que encerravam. Na tua pele branca contrastava o longo vestido vermelho acetinado que tornava mais dramático o teu jogo. Descalça tomaste uma taça de champanhe, acariciaste um cigarro e continuaste o teu puzzle. Procuraste fazer coincidir os contornos com o que conhecias, as peças adequadas numa sucessão ordenada com as pontas soltas e a imagem foi surgindo aos poucos. Um cigarro mais, outro ainda e uma gelha no teu vestido imaculado.A imagem foi ganhando contornos e eis quando te deparas com a ausência de peças, o puzzle incompleto e o tempo perdido. Tu que pensavas o que fazer com ele quando terminado. Tu que pacientemente recomeçaste procurando corrigir um possível erro teu. Eu, no teu lugar, teria queimado cada peça...uma a uma, saboreando o fogo lento que as consumiria como uma vingança pessoal pelo tempo desperdiçado. Eu, no teu lugar, saberia que depois de terminado perderia todo o interesse. In…http://www.tonsdevermelho.blogspot.com/

quarta-feira

Tua Caminhada

" Não faças do amanhã o sinônimo de nunca, nem o ontem te seja o mesmo que nunca mais. Teus passos ficaram. Olhes para trás ... mas vá em frente pois há muitos que precisam que chegues para poderem seguir-te." Charles Chaplin

terça-feira

Espero...

"Espero sempre por ti o dia inteiro, Quando na praia sobe, de cinza e oiro, O nevoeiro E há em todas as coisas agoiro De uma fantástica vinda. Quando vens, trazes o sol e a ternura. São os teus olhos que me despertam E me oferecem o aroma da vida. É a doçura inquieta das tuas mãos que veste os meus sonhos. O momento que espero é este, Quando vens antes de mim e dos sentidos. Quando me confidencias as tuas saudades, e os caminhos por onde me levaste, nas tuas ausências… Quando me trazes a Primavera… " Sophia de Mello Breyner

Mágoa

" É uma palavra bonita, mágoa. Sabe a lágrimas silenciosas, a noites de insónia, a manhãs de Domingo solitárias e sem sentido. Está para lá da tristeza, da saudade, do desejo de lutar pelo que já se perdeu, da raiva de não ter o que mais se queria, da pena de ter deixado fugir um grande amor, por ser demasiado grande. Primeiro grita-se, barafusta-se, soluça-se em catadupas. Depois, é o pós-guerra, a rendição, a entrega das armas e as sentenças de um tribunal marcial interior, em que os juízes são a vida, e o réu, o que fizermos dela. Limpam-se os destroços. Enterram-se os mortos, tratam-se dos feridos, que são as nossas feridas, feitas de saudades, de desencontros, palavras infelizes e frases insensatas, medos, frustrações e tudo o que não dissemos. A mágoa chega então, quando o cansaço já não nos deixa sentir mais nada. É silenciosa e matreira, instala-se sem darmos por ela, aloja-se no coração. Mas o mundo nunca pára. Nada pára. A vida foge, os dias atropelam-se, é preciso continuar a vivê-los, mesmo com dor. Pelo menos a mágoa magoa mas faz-nos sentir vivos. " In blogspot.com

sexta-feira

Só isto...

Mesmo só isto. Escreler. Quando o sonho sonhado nos deixa com o corpo do avesso e a alma de fora. E o teclado é a janela que se abre pela força da alma nas pontinhas dos dedos. E ficar assim. Em intermitencias que saem em vagas de pirilampos. Quando doi. Quando faz bem.