A geografia da vida é plana, traçada a direito
pelos roteiros que percorremos mas já os sentimentos não são assim lineares.
Penso que dada
a força do vendaval nada melhor que a distância física e geográfica para
serenar as pulsões.
É isto que me
tem movido, uma espécie de ansiedade abafada, constante que
corresponde a um ponto exacto no corpo, fica ali entre o coração e o estômago,
a meio caminho de nada e entre tudo o que é vital.
Dizem que a
paixão sem ansiedade não é paixão e com serenidade também o não é. Dizem.
Há amores complicados de se entender, há apaixonados difíceis de ceder. E esgotam-se.
Há paixões que não são assim tão insignificantes ao ponto de serem indiferentes á responsabilidade existencial do outro sem pedirem nada em troca. E perduram. Estas são as paixões da dádiva, da não prisão, da liberdade de ir ou ficar. E renovam-se a cada vinda.
Num certo
sentido voce não existe, para mim e eu para si, no mundo real. Existe em mim
numa dimensão paralela. E a imaginação ninguém a pode travar porque a
cumplicidade do interdito faz-nos revelar os mais recônditos preceitos e
permite uma abertura de alma como nada mais. Porque nos entregamos sem
reservas, nem pudores, nem medos. Simplesmente nos damos.
E é devido a essa entrega desprovida de qualquer contrapartida que digo que Euclides não tinha sempre razão. Ele partia do princípio que as paralelas eram constantes até ao infinito. Hoje sei que é possível um modo de vida não Euclidiano, onde as paralelas se tocam no além longínquo. Um ponto onde tudo o que é real desaparece. A ilusão da convergência. E nesse ponto é onde o impossível é possível, a união, a simbiose de duas realidades distintas, numa espécie de suave entrelaçar, sem intersecções num mundo de precisão. No cerzir dos sentidos, apenas a audição, a respiração alterada e a sensação de arrepio.